Alepi lança Exposição sobre o legado da arqueóloga Niède Guidon

A Exposição vai ficar na Praça do Povo da Alepi e será de visitação aberta ao público
Por Redação

A Assembleia Legislativa do Piauí (Alepi) inaugurou, nesta quarta-feira (3), a exposição sobre o legado da pesquisadora Niède Guidon. No evento, foi realizada mesa de debate com pessoas que participaram da luta para a criação do Parque Nacional da Serra da Capivara, assim como foram lançados o filme Rupestre e o livro "Niéde Guidon: Uma arqueóloga no sertão".

O presidente da Alepi, Severo Eulálio (MDB), disse que era um momento muito especial, pois Niède Guidon colocou o Piauí no cenário mundial. “Ela destacou a importância da nossa Serra da Capivara, das nossas escrituras rupestres, que estão disseminadas no mundo inteiro; nós recebemos turistas do mundo inteiro. É extremamente importante a Assembleia contribuir fazendo a sua parte”, afirmou.

André Pessoa, fotojornalista reconhecido internacionalmente pelo ativismo e responsável pelo registro histórico da Serra da Capivara, contou que a exposição ocorrer na Alepi é importante porque o parlamento é a área mais representativa da democracia. “Niède precisa ser reconhecida pelo parlamento, pela sociedade, pelo jornalismo como uma mulher que veio para o Piauí para elevar a autoestima do piauiense, para mostrar a descoberta, para mostrar que esse estado é rico, é maravilhoso e só precisa ser conservado”, defendeu.

O fotojornalista acrescentou que a infraestrutura criada na Serra da Capivara é fundamental para o turismo e, assim, ajuda na conservação e na economia local. “É a melhor forma da economia, porque o turista vem, ele aprende com o povo, ele consome as coisas aqui, ele volta encantado, ele leva conhecimento e não destrói nada. A gente precisa cada vez mais conscientizar os nossos políticos, os nossos representantes, que não é só coisa de ambientalista ferrenho ou radical”, defendeu.

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O jornalista científico e um dos criadores do programa Globo Ciência, Sérgio Brandão, disse que essa exposição já foi realizada no Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro, e agora vem para Teresina para mostrar a força e a obra de Niède Guidon. “Ela é a figura da mulher, da cientista, é um motivo de orgulho para todos nós brasileiros. […] Eu tive o privilégio, a honra de ter sido o primeiro repórter de televisão a entrevistar Niède, com o programa que eu fazia na época, o Globo Ciência. E aí depois foi, eu digo, amor à primeira vista. Eu voltei muitas vezes acompanhando o trabalho dela, e foi ao longo de mais de 30 anos, documentando, registrando”, relatou.

Adriana Abujamra, escritora do livro "Niéde Guidon: Uma arqueóloga no sertão", declarou que a relevância da arqueóloga é incontestável e que ela tinha grande visão de mundo. “Hoje, todo mundo fala de mudança climática, e ela já estava lá. Ela falava da caatinga e tirou a visão caricatural da região. Outra coisa que descobri é que ela fez uma revolução das mulheres da caatinga, e isso é fenomenal”, contou.

Durante a exposição, foi exibido o filme Rupestre, sobre a pesquisadora e sobre a Serra da Capivara. Nele, Guidon explica sobre a cultura das populações que se desenvolveram na região, com pinturas representando a rotina deles, indo da caça, com vários tipos de armadilhas, às relações sociais. No documentário também é mostrada a importância da caatinga e que os estudos locais estão conseguindo catalogar novas espécies do bioma.

O secretário de turismo do Piauí, Daniel Oliveira, disse que a proteção da Serra da Capivara é a defesa de um importante capítulo da história humana e da atividade no estado. “A visitação tem crescido muito no parque. Tem crescido também nas cidades vizinhas. O presidente Lula sancionou uma lei federal criando uma rota nacional nova, que é a rota nacional da Serra da Capivara, dando uma dimensão estratégica, não só para o governo e para o estado, mas para o Brasil e para o mundo”, afirmou.

Diversos convidados que conviveram com Niède Guidon estiveram presentes, como o ex-deputado federal Paes Landim, a presidente do Instituto Ecológico Caatinga (IEC), Maria da Conceição Araújo, a professora da Universidade Federal do Piauí (UFPI), Claudete Dias, a cientista Conceição Lages e o médico e fundador da ONG Amar-O-Parq, Dr. Luiz Ayrton.

Fonte: Ascom Alepi

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